https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/issue/feed Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical 2026-07-24T16:25:39-07:00 Contacto Principal anais@ihmt.unl.pt Open Journal Systems Os Anais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical publicam artigos originais nos domínios da medicina tropical, saúde pública e internacional, ciências biomédicas e afins https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/567 Centros de Inteligência Estratégica da Gestão Estadual do SUS (CIEGES/Conass): relato de experiência sobre modelo em rede, painéis hierarquizados e governança de dados para fortalecer a tomada de decisão no Sistema Único de Saúde 2026-07-24T16:22:11-07:00 Sandro Terabe no@no.no Juliane Alves no@no.no Marcus Vinicius de Carvalho no@no.no <p>&nbsp;<span class=""><strong>Introdução/Antecedentes</strong>: A gestão do Sistema Único de Saúde (SUS), orientada pelos princípios de universalidade, integralidade e equidade, constitui um campo de elevada complexidade, atravessado pelo federalismo sanitário, pela diversidade territorial, pela multiplicidade de atores institucionais e pela produção cotidiana de grandes volumes de dados administrativos, assistenciais, epidemiológicos e financeiros. A disponibilidade de sistemas de informação robustos, como e-SUS Atenção Primária, Sistema de Informações Ambulatoriais, Sistema de Informações Hospitalares, Sistema de Informações sobre Mortalidade, Sistema de Informação de Agravos de Notificação, Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e sistemas orçamentário-financeiros, não garante, isoladamente, uso efetivo, oportuno e seguro da informação na gestão. Persistem desafios relacionados à fragmentação, baixa interoperabilidade, heterogeneidade de padrões, qualidade dos dados, proteção de dados pessoais e limitada capacidade de tradução analítica para apoiar decisões. Nesse contexto, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) intensificou a indução de práticas inovadoras de governança de dados e inteligência estratégica para a gestão estadual do SUS.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Objetivo</strong>: Descrever, como relato de experiência, a criação, o desenvolvimento e a consolidação dos Centros de Inteligência Estratégica da Gestão Estadual do SUS (CIEGES), coordenados pelo Conass, e discutir suas contribuições, limites e implicações para a qualificação da tomada de decisão e o fortalecimento da gestão estadual do SUS.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Materiais e Métodos</strong>: Trata-se de relato de experiência técnico-institucional, de natureza descritiva e analítica, fundamentado em análise documental e sistematização de experiências desenvolvidas no âmbito do CIEGES/Conass e da Rede CIEGES no período de 2023 a 2025. Foram consideradas fontes normativas e institucionais relacionadas à Política Nacional de Informação e Informática em Saúde, à Estratégia de Saúde Digital para o Brasil, à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a documentos e materiais técnicos do Conass, a registros de reuniões, relatórios de acompanhamento, apresentações institucionais e produtos analíticos utilizados na implantação dos CIEGES estaduais. Os materiais foram selecionados por pertinência temática, vínculo com a implantação dos CIEGES e disponibilidade institucional. A sistematização combinou leitura dirigida, categorização temática, triangulação entre documentos, experiências relatadas pela rede e evidências de produtos desenvolvidos. As categorias de análise foram: governança de dados, interoperabilidade, organização dos painéis, tecnologia física e social, implantação federativa, usos decisórios e desafios de sustentabilidade.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Resultados</strong>: A experiência do Conass durante a pandemia de COVID-19, especialmente com painéis de monitoramento de casos, óbitos, excesso de mortalidade, leitos e insumos críticos, evidenciou a importância de informação confiável, tempestiva e acessível para gestores e sociedade. Em 2023, o CIEGES/Conass foi estruturado como apoio permanente à decisão, articulando dados, pessoas, processos e tecnologias, em alinhamento com a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde e a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil. O modelo conceitual foi organizado pela pirâmide da inteligência: dados brutos são qualificados e contextualizados para gerar informação; informações são analisadas criticamente para produzir conhecimento; e conhecimento é transformado em inteligência aplicada quando orienta decisões estratégicas, táticas e operacionais. A hierarquização dos produtos em painéis estratégicos, táticos e operacionais reduziu sobrecarga informacional e favoreceu o uso diferenciado por alta gestão, gestores intermediários e equipes técnicas. A implantação foi impulsionada por demanda e respaldo da alta gestão estadual, com adaptação às maturidades locais e preservação de coerência conceitual. Até 2025, registrou-se a implantação de 17 CIEGES estaduais e a consolidação da Rede CIEGES/Conass como espaço de compartilhamento metodológico, aprendizagem entre pares e disseminação de boas práticas. O CIEGES foi certificado pela Organização Mundial da Saúde/Organização Panamericana da Saude como Centro Colaborador – BRA-93, em sistemas de informação para criação de inteligencia gestora e saúde digital para os estados membros.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Conclusão</strong>: Os CIEGES configuram inovação institucional relevante na gestão pública em saúde ao estruturar capacidades para converter dados em informação qualificada, conhecimento e inteligência aplicada à decisão. A experiência sugere potencial para reduzir fragmentação informacional, fortalecer governança de dados e induzir cultura de gestão orientada por evidências. Sua consolidação, entretanto, depende do enfrentamento de desafios persistentes: qualidade e padronização dos dados, interoperabilidade semântica e tecnológica, proteção de dados pessoais, formação contínua de equipes, avaliação de impacto, sustentabilidade financeira e uso transparente, explicável e responsável de inteligência artificial.</span></p> 2026-07-24T15:22:44-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/563 Construindo uma instituição de saúde antirracista: relatos Construindo uma instituição de saúde antirracista: relatos de uma experiência de uma experiência 2026-07-24T16:24:46-07:00 Luís Eduardo Batista no@no.no Yuri Santos de Brito no@no.no Maria Taires dos Santos no@no.no Karoline Martins Moreira no@no.no Vitoria Cristina dos Santos Vinhas no@no.no <p></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Introdução</strong>: Este ensaio relata os esforços do Ministério da Saúde do Brasil no desenvolvimento e implementação de estratégias de inclusão de negros (pretos e pardos), indígenas, pessoas trans e com deficiência na força de trabalho da instituição, bem como a criação de programas e ações que tenham como público-alvo a população negra.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Objetivo</strong>: O artigo descreve a implementação da estratégia antirracista implementada pelo Ministério da Saúde do Brasil no Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro de 2023 a fevereiro de 2025.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Materiais e Métodos</strong>: Os autores deste ensaio integraram a equipe da Assessoria para Equidade Racial do Gabinete da Ministra Nísia Trindade Lima e da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, responsável pela coordenação da estratégia antirracista do Ministério da Saúde. O texto utiliza-se de normativas oficiais (decretos, portarias e notas técnicas); cadernos, agendas e anotações de integrantes da equipe.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Resultados</strong>: Entre janeiro de 2023 à fevereiro de 2025 a gestão da Ministra da Saúde implementou iniciativas para fortalecer a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), a Rede Alyne para reduzir a mortalidade materna entre mulheres negras e indígenas, e o Programa Nacional de Apoio à Permanência de estudantes de saúde de grupos vulneráveis. Apesar de ser um breve período, a experiência resultou em avanços significativos na institucionalização do antirracismo na saúde pública.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Conclusões</strong>: Os autores concluem que o enfrentamento ao racismo deve ser uma prioridade na saúde, exigindo mudanças estruturais e um comprometimento contínuo. A agenda antirracista precisa ser integrada às políticas de saúde de forma orgânica, garantindo que os direitos de todas as populações sejam respeitados e atendidos, evitando que recursos públicos atuem na perpetuação das iniquidades. São destacadas no texto, as lições aprendidas e as recomendações para orientar instituições que têm como imperativo moral, ético e político o enfrentamento à violência estrutural, à iniquidade étnico-racial e o antirracismo.</span></p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/558 Violência armada e sistemas de saúde: quatro trajetórias históricas de transformação institucional 2026-07-24T16:25:10-07:00 André Beja no@no.no Filipa Tavares no@no.no <p></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Introdução</strong>: Os conflitos armados constituem choques sistémicos que afetam profundamente os sistemas de saúde, comprometendo infraestruturas, força de trabalho, financiamento e governação. Contudo, a história demonstra que os seus efeitos não se limitam à destruição, podendo desencadear processos de inovação institucional, reorganização sistémica e, em certos contextos, de incorporação de capacidades adaptativas reutilizáveis em crises posteriores. Esta leitura exige, porém, cautela: a identificação de inovação em contexto de guerra não deve ser confundida com a valorização da guerra como motor necessário de progresso, uma vez que a violência armada produz danos sanitários diretos e indiretos prolongados.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Objetivo</strong>: Analisar comparativamente o impacto de conflitos armados ao longo dos séculos XIX e XX na transformação das ciências da saúde e dos sistemas sanitários, através de quatro momentos históricos estruturantes: as guerras imperiais do Século XIX; as Guerras Mundiais; a Guerra Fria e o período pós-Guerra Fria.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Resultados</strong>: Identificam-se quatro padrões estruturais de transformação: inovação técnico-organizacional em contexto pré-sistémico; centralização e consolidação de sistemas nacionais de saúde após guerra total industrial; tecnologização biomédica no quadro da competição bipolar, com efeitos desiguais em contextos coloniais e pós-coloniais; e fragmentação administrativa com dependência externa em cenários de desintegração política. Nestes últimos, embora predomine a descontinuidade institucional, observam-se por vezes traços localizados de antifragilidade, incorporados nas práticas e nos profissionais.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Conclusão</strong>: A violência armada não produz automaticamente inovação nem colapso definitivo. O seu impacto depende da coesão política, da capacidade institucional prévia e do enquadramento internacional. Os sistemas de saúde transformam-se menos pela guerra em si do que pelas decisões estruturais adotadas durante e após o choque violento. A consolidação sanitária duradoura depende da reconstrução política, da redução da violência estrutural e do aprofundamento da paz.</span></p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/562 A violência de género no Brasil e a necessidade de se criar uma rede intersetorial de cuidado integral 2026-07-24T16:24:48-07:00 Lêda Lúcia Couto de Vasconcelos no@no.no Deborah Carvalho Malta no@no.no <p>São apresentados aspectos conceituais e tipologias da violência contra meninas e mulheres, seguidos de alguns dados de violência de género no Brasil. Reconhecendo a violência como um fenómeno complexo e multicausal, com impactos diversos na vida da mulher, que não podem ser superados por setores isolados, identifica-se a importância de uma articulação intersetorial. Para enfrentar os diversos aspectos envolvidos na violência praticada contra a mulher, identifica-se a necessidade de construção de uma rede intersetorial de cuidado integral para o enfrentamento da violência contra meninas e mulheres, envolvendo os setores da Saúde, Assistência Social, Educação e Segurança e Justiça. Cada setor desempenhando seu papel, mas articulado em rede e propiciando um cuidado que não seja pontual, mas integral.</p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/561 Organizações Não Governamentais e ação humanitária em situação de conflito. Algumas notas. 2026-07-24T16:25:34-07:00 António Hipólito de Aguiar no@no.no Fernando Vasco Marques no@no.no <p>Os autores, face à experiência da organização a que pertencem, abordam todo o processo que leva uma Organização Não Governamental (ONG) a realizar uma missão de emergência, particularmente numa situação de conflito, desde a tomada de decisão inicial de intervir, até ao término da missão. São abordados ainda alguns dos fatores que os autores consideram que têm vindo a agravar as dificuldades do contexto em que as organizações atuam e os riscos para os trabalhadores humanitários que participam numa missão desta natureza, bem como os fatores que tendem a aumentar a vulnerabilidade das populações envolvidas. Quanto aos primeiros, relevam-se a hostilidade dos governos face às ONGs e organizações internacionais, nomeadamente os governos autocráticos, face ao papel de denúncia de atentados aos direitos das populações, o exercício do direito de ingerência que leva à associação das ONGs que chega ao terreno às forças que exerceram o referido direito e a associação da pobreza com o deslocamento de populações provocado pelo conflito. Quanto ao aumento da vulnerabilidade das populações envolvidas é relevada a ocorrência simultânea do conflito com as desigualdades crescentes, as crises económicas e os efeitos da crise climática. Chama-se também a atenção para a importância da experiência e profissionalismo das organizações em intervenções desta natureza, que as leva a ter protocolos bem definidos que orientam toda a intervenção, sem perderem de vista os seus valores.</p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/560 A promessa das condições sanitárias nas fronteiras europeias 2026-07-24T16:25:36-07:00 Ana S. Mendes no@no.no <p>"Solidariedade, violência, esquecimento: os três tempos de Lesbos", uma exposição fotográfica aberta entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 em Lisboa, parte do exemplo de Lesbos para refletir sobre a evolução das políticas migratórias em território europeu, na última década. Nessa ilha grega, um centro destinado a pessoas em movimento teve especial destaque pelas condições sanitárias em que encerrava milhares em território europeu: o campo de Moria, em Lesbos. Após o incêndio que encerrou o seu último capítulo, a Comissão Europeia financiou cinco novos campos nas ilhas gregas, prometendo instalações adequadas que cumprissem as normas da UE. O que nos ensina esta fronteira europeia sobre o cumprimento do direito internacional ao saneamento básico?</p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/556 Conflito, violência e saúde: compreender para responder 2026-07-24T16:25:14-07:00 André Beja no@no.no 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/555 Sistemas de saúde em situação de violência e conflito: impacto e respostas 2026-07-24T16:25:16-07:00 Paula Fortunato no@no.no Paulo Ferrinho no@no.no Marta Pingarilho no@no.no Sofia Gonçalves Seabra no@no.no Filomeno Fortes no@no.no <p>.</p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/559 Experiência de adaptação do Sistema Médico de Emergência da Ucrânia em condições de guerra prolongada em grande escala 2026-07-24T16:25:39-07:00 Vitaliy Kryliuk no@no.no Halyna Tsymbaliuk no@no.no Pavlo Khochai no@no.no Maksym Maksymenko no@no.no <p>&nbsp;<span class=""><strong>Introdução</strong>: A guerra em grande escala na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022, colocou desafios sem precedentes ao sistema de serviços médicos de emergência (EMS) e exigiu a sua transformação. Essas mudanças ocorreram imediatamente após a pandemia de COVID-19, efetivamente em um contexto de recursos já limitados. Os principais desafios que afetaram as operações do EMS incluíram: aumento significativo de casos de trauma em civis; grande número de incidentes com múltiplas vítimas; riscos à segurança do pessoal do EMS; destruição extensa da infraestrutura médica; ameaças de natureza química, biológica, radiológica e nuclear (CBRN).</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">Apesar desses desafios, o sistema EMS adaptou-se e continua a funcionar de forma eficaz. Este artigo descreve brevemente os principais desafios e as abordagens utilizadas para enfrentá-los.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Objetivo</strong>: Descrever os principais desafios enfrentados pelo EMS durante uma guerra prolongada em grande escala e resumir soluções práticas que apoiem a continuidade operacional e a capacidade escalável de resposta a emergências.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Materiais e Métodos</strong>: Foram analisados dados operacionais e estatísticas da Instituição Estatal "Centro Científico e Prático Ucraniano de Cuidados Médicos de Emergência e Medicina de Desastres" para o período 2022–2025. Foi realizada uma revisão narrativa descritiva com base em dados agregados e exemplos organizacionais da Ucrânia durante 2022–2025, bem como em abordagens internacionais para manutenção de serviços essenciais de saúde, fortalecimento da resiliência do sistema e desenvolvimento de redes nacionais de Equipes Médicas de Emergência (EMT).</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Resultados</strong>: Foram identificados sete grupos principais de desafios críticos: incidentes com múltiplas vítimas e aumento acentuado de casos de trauma em civis; ameaças CBRN; destruição da infraestrutura médica; necessidade de transferências interhospitalares de longa distância de pacientes criticamente enfermos; riscos à segurança do pessoal do EMS; tempo e recursos limitados para treinamento em novos programas; sistemas de dados fragmentados e necessidade de análises rápidas.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class="">As respostas práticas incluíram: integração das EMTs nacionais e modelos de capacidade de resposta rápida; estabelecimento de polos médicos e centros de coordenação de transporte médico; desenvolvimento de sistemas intensivos de evacuação (incluindo ambulâncias ICU móveis); padronização de rotas; fortalecimento da segurança do pessoal (veículos blindados, proteção contra guerra eletrônica, ajustes táticos); programas acelerados de treinamento modular; digitalização e estruturas verticais de gestão de crises; interação regulamentada entre medicina civil e militar.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Conclusão</strong>: A adaptação a conflitos prolongados exige a transição de uma resposta pontual para um modelo de resiliência gerida: análise proativa de ameaças, implantação de equipes médicas nacionais de desastre, logística protegida, treinamento sistemático do pessoal e uso de dados em tempo real para tomada de decisão.</span></p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement## https://anaisihmt.com/index.php/ihmt/article/view/557 O Impacto dos Conflitos Armados no Funcionamento dos Sistemas de Saúde: O Caso da Província de Cabo Delgado em Moçambique 2026-07-24T16:25:12-07:00 Basilinho Basílio dos Mwelus no@no.no Anastácia Lidimba no@no.no Alexandre Lourenço Jaime Manguele no@no.no André Beja no@no.no Dulnério Barbosa Sengo no@no.no <p>&nbsp;<span class=""><strong>Introdução</strong>: O conflito armado em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, iniciado em 2017, provocou grave impacto na provisão de cuidados de saúde pública, alterando a funcionalidade da rede sanitária e o acesso da população aos cuidados essenciais. A situação de saúde das populações deslocadas foi agravada com a ocorrência de ciclones tropicais e de surtos de COVID-19 e cólera, que colocaram a prova a capacidade das autoridades de saúde para a resposta. Neste artigo analisam-se os efeitos dos eventos e as estratégias adotadas entre 2017 e 2025.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Material e métodos</strong>: Estudo de caso descritivo, baseado na triangulação de dados administrativos de entidades governamentais, relatórios operacionais de organizações envolvidas na resposta, bem como em literatura científica e institucional.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Resultados</strong>: O impacto do conflito no sistema de saúde numa das províncias mais carenciadas do país traduziu-se na destruição de equipamentos, ataque a profissionais, quebra de linhas de abastecimento e interrupção da prestação regular de cuidados, fatores que, conjugados com os efeitos de carências estruturais e com os efeitos de eventos inesperados, potenciaram um cenário de fragilidade sanitária. Demonstra-se que as pressões adicionais a um sistema de saúde que já era condicionado por múltiplas limitações, motivaram adaptações organizacionais para responder às necessidades que a crise sanitária exacerbou, mas que, mesmo passados oito anos de violência, persistem grandes desafios relacionados com as infraestruturas, recursos humanos ou de acesso a serviços e cuidados de saúde.</span></p> <p class="ds-markdown-paragraph"><span class=""><strong>Discussão e conclusões</strong>: A análise do impacto do conflito ajuda a compreender como uma disrupção sanitária própria dos contextos de violência armada foi acentuada por condições de fragilidade prévias e por eventos de ordem climática e epidemiológica inesperados. A coordenação interinstitucional e a articulação de recursos foram determinantes para mitigar os efeitos imediatos da disrupção sanitária, pondo em evidencia a necessidade e reforço de políticas públicas e a cooperação internacional reforço do sistema de saúde.</span></p> 2026-07-10T00:00:00-07:00 ##submission.copyrightStatement##