Breve história da micobacteriologia no IHMT/UNL

  • Miguel Viveiros Grupo de Micobactérias, Unidade de Microbiologia Médica, Global Health and Tropical Medicine (GHTM), Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade NOVA de Lisboa (IHMT, UNL), Lisboa, Portugal
  • Isabel Couto Grupo de Micobactérias, Unidade de Microbiologia Médica, Global Health and Tropical Medicine (GHTM), Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade NOVA de Lisboa (IHMT, UNL), Lisboa, Portugal
Palavras-chave: Tuberculose, outras micobacterioses, multirresistência, diagnóstico laboratorial atempado e de qualidade, novas tecnologias de diagnóstico e tratamento

Resumo

Este artigo revê o estudo da tuberculose e de outras micobacterioses no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, ao longo dos mais de cem anos de história deste instituto. Se nas primeiras décadas este trabalho se focou sobretudo ao nível do apoio às populações e aos programas locais de luta contra a tuberculose em todos os países e províncias onde o instituto operava numa abrangência global, a criação formal de um grupo de Micobacteriologia em 1999, apoiado pela instalação de um Laboratório de Biosegurança P3 para Micobacteriologia, veio transformar o trabalho desenvolvido no instituto ao nível da tuberculose e outras micobacterioses. Em simultâneo, estabeleceram-se parcerias com os hospitais da área da Grande Lisboa, procurando levar até eles os benefícios da investigação implementacional de novas técnicas e metodologias para a deteção precoce e precisa da tuberculose e outras micobacterioses. Do trabalho desenvolvido ao longo destes últimos 15 anos destacam-se a implementação e avaliação de novas tecnologias de biologia molecular pelo impacto que tiveram no combate à tuberculose em Portugal e nos países da CPLP, a criação do Grupo de Trabalho para a Tuberculose na Grande Lisboa, envolvendo doze hospitais desta área, a implementação em Portugal de sistemas automatizados de cultura rápida, de métodos moleculares para identificação de micobactérias e rastreio de mutações que conferem resistência aos tuberculostáticos, bem como o estabelecimento de redes de trabalho e formação ao nível clinico-laboratorial, em Portugal e na CPLP – A Rede FORDILAB-TB – projetos e iniciativas e que mereceram desde a primeira hora o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Merecem igual destaque, pelo impacto que poderão vir a ter no futuro, a investigação aplicada no desenho e teste de novas abordagens de deteção precoce e tratamento da tuberculose, incluindo o desenvolvimento de testes in vitro para avaliação da efectividade de esquemas de tratamento personalizado para cada doente de Tuberculose e Tuberculose resistente.

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Publicado
2018-09-02
Secção
Artigos Originais