O ensino da história da medicina tropical à distância - uma experiência inovadora de formação universitária entre Portugal e Brasil (2014-2015)

  • Isabel Amaral Professora Auxiliar; Departamento de Ciências Sociais Aplicadas/Centro interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) Faculdade de Ciências e Tecnologia
Palavras-chave: Medicina tropical, História, Ensino à Distância, Currículos, Redes de conhecimento

Resumo

O primeiro curso universitário em História da Medicina Tropical, realizado entre Outubro e Dezembro de 2014, utilizando uma plataforma inovadora de ensino à distância, permitiu desenvolver atividades formativas na área, simultaneamente e em tempo real, em dois países diferentes − Brasil e Portugal. Envolveu cerca de três dezenas de alunos e professores divididos pelo Atlântico e surgiu como resultado da colaboração interinstitucional (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Faculdade de Ciências e Tecnologia e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade Nova de Lisboa) e da necessidade de desenvolver ferramentas pedagógicas e científicas de ensino à distância, numa estratégia de consolidação da formação internacional em saúde. Pretende-se com este trabalho fazer uma reflexão sobre esta experiência de formação universitária especializada, pioneira em Portugal e no Brasil, assente em dois elementos complementares: a dinâmica programática do curso da responsabilidade dos docentes/investigadores, e, a avaliação discente. Trata-se, em suma, de avaliar a potencialidade deste tipo de curso inspirado no programa de pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz (Mestrado e Doutoramento), para a valorização dos curricula dos cursos de formação superior avançada em ciências da saúde, em Portugal. Os resultados, ainda que iniciais, poderão contribuir para uma reflexão mais abrangente e aplicada a outros universos e redes de conhecimento, para os quais a internet constitui uma importante janela de oportunidade, no âmbito do ensino e da investigação em história e memória cognitiva, institucional e patrimonial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. Amaral I, Diogo MP, Benchimol, JB; Romero Sá M (2013). Contribuições
para a História da Medicina Tropical nos séculos XIX e XX: um olhar retrospectivo.
An Inst Med Trop 12: 13-28.
2. Worboys M. The Emergence of Tropical Medicine: a Study in the Establishment
of a Scientific Speciality. In Lemaine G, MacLeod R, Mulkay M, Weingart P
(eds.) (1976). Perspectives on the Emergence of Scientific Disciplines. The Hague,
Paris: 75-98.
3. Diogo MP, Amaral IA (coord.) (2012). A outra face do império: ciência, tecnologia
e medicina (sécs. XIX e XX). Edições Colibri, Colecção CIUHCT, Lisboa,
Portugal.
4. Amaral, I (2008). Building Tropical Medicine in Portugal – The Lisbon School
of Tropical Medicine and the Colonial Hospital (1902-1935). Dynamis 28: 299-
336.
5. Headrick D (2010). Power over People. Technology, Environments , and Western
Imperialism, 1400 to the Present. Princeton University Press, Princeton, NJ/
Oxford, UK.
6. Howe S. (2009). The New Imperial Histories Reader. Routledge, London/
New York.
7. Simões A, Carneiro, A, Diogo, MP (2003). Travels of Learning. A Geography
of Science in Europe. Kluwer Academic Publishers, London, UK.
8. Worboys M (2001). The Colonial World as Mission and Mandate: Leprosy and
Empire, 1900-1940. Osiris 15: 207-218.
9. Macleod R, Lewis M (eds.) (1988). Disease, Medicine and Empire, Perspectives
on Western Medicine and the Experience of European Expansion. Routledge,
Routledge, London/New York, UK.
10. Atepan N (2001). Picturing tropical nature. Reaktion books, London, UK.
11. Harrison M ( 1999). Climates and constitutions. Health, race, environment
and British imperialism in India 1600-1850. Oxford University Press, Oxford, UK.
12. Arnold D (1996). Warm climates and western medicine. Rodopi, Amsterdam-
Atlanta, USA.
13. Edler, FC (2011). A medicina no Brasil imperial: clima, parasitas e patologia
tropical. Editora Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.
14. Benchimol JL (2000). A instituição da microbiologia e a história da saúde pública
no Brasil. Ciênc. Saúde Colectiva 5 (2): 265-292.
15. Deborah N (2012). Networks in Tropical Medicine – internationalism, colonialism
and the rise of a medical specialty 1890-1930. Stanford University Press,
Stanford, UK.
16. Amaral I (2006). Na Rota das Patologias Exóticas - as contribuições portuguesas
sobre a doença do sono (1905-1925). In:Pita R, Pereira AL. Rotas da Natureza
- Cientistas, Viagens, Expedições e Instituições. Imprensa da Universidade de
Coimbra, Coimbra: 223-229.
17. Amaral I (2012). Bactéria ou parasita? A controvérsia sobre a etiologia da
doença do sono e a participação portuguesa, 1898-1904. Hist. cienc. saude-Manguinhos
19( 4): 1275 - 1300.
18. Bruce-Chwatt LJ, Zulueta J (1980). Sezonismo. A Erradicação da Malária em
Portugal. Direção dos Serviços de Higiene Rural e Defesa Anti-Sezonática, Ministério
Ass. Sociais, Sec. Estado Saúde, Lisboa, Portugal.
19. Cambournac F (1942). Sobre a Epidemiologia do Sezonismo em Portugal.
Sociedade Industrial, Lisboa, Portugal.
20. Landeiro F, Cambournac, F (1933). O Sezonismo em Portugal. Missão da
Direção Geral de Saúde, Rockefeller Foundation. Colecção de Relatórios, Estudos
e Documentos Coloniais, Ministério das Colónias, 28.
21. Cambournac J (1950). Report on malaria in equatorial Africa. WHO Library,
WHO, Geneva, Suíça.
22. Benchimol J (1999). Dos micróbios aos mosquitos, febre amarela e revolução
pasteuriana no Brasil. Editora Fiocruz/Editora UFRJ , Rio de Janeiro, Brasil.
23. Kropf SP (2009). Doença de Chagas, doença do Brasil: ciência, saúde e nação
(1909-1962). Editora Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.
24. Romero Sá M (2005). The history of Tropical Medicine in Brazil: the discovery
of Trypanosoma cruzi by Carlos Chagas and the German School of Protozoology.
Parassitologia 47: 309-317.
25. Kropf SP, Azevedo N, Ferreira LO (2000). A construção científica e social da
doença de Chagas. Ciência & Saude Coletiva 5(2): 347-365.
26. Kropf SP (2009). Carlos Chagas e os debates e controvérsias sobre a doença
do no Brasil (1909-1923). Hist. cienc. saude-Manguinhos 16 (1): 205-227.
27. Headrick DR (2014). Sleeping Sickness Epidemics and Colonial Responses
in East and Central Africa, 1900–1940. PLoS Negl Trop Dis 8(4): e2772.
doi:10.1371/journal.pntd.0002772.
28. Costa LM (2013). A Missão do Sono entre a História e a Antropologia Visual.
An Inst Med Trop 12: 29-40.
29. Havik, PJ (2014). Public health and tropical modernity: the combat against
sleeping sickness in Portuguese Guinea, 1945-1974. Hist. cienc. saude-Manguinhos
21 (2): 641-666.
30. Garnel R (2009). Portugal e as Conferências Sanitárias Internacionais (em
torno das epidemias oitocentistas de cholera-morbus). Revista de História da Sociedade
e da Cultura 9: 229-251.
31. Huber V(2006). The unification of the globe by disease? The international sanitary
conferences on cholera, 1851–1894.The Historical Journal 49 (2): 453-476.
32. Cueto M (2007). The value of health: a history of the Pan American Health
Organization. Pan American Health Organization, Washington D.C., USA.
33. Brown TM, Cueto M, Fee E (2006). A transição da Saúde Pública internacional
para a global e a Organização Mundial de Saúde. Hist. ciênc. saúde-Manguinhos
13(3):623-647.
Publicado
2018-09-03