O Sistema de Saúde italiano e a crise: uma visão geral das políticas e sua implementação

  • Francesca Ferrè Laboratorio Management e Sanità, Institute of Management, Scuola Superiore Sant’Anna, Pisa, Italy
  • Guido Noto Laboratorio Management e Sanità, Institute of Management, Scuola Superiore Sant’Anna, Pisa, Italy
  • Frederico Vola Laboratorio Management e Sanità, Institute of Management, Scuola Superiore Sant’Anna, Pisa, Italy
Palavras-chave: Itália, crise financeira, cuidados de saúde, políticas de saúde

Resumo

Em Itália, a crise económica e fiscal e a instabilidade política colocaram o sistema de saúde sob tensão durante o período de 2010-2014, durante o qual ocorreram diversas mudanças políticas. A intervenção governamental no sistema de nacional de saúde italiano assumiu a forma de decretos urgentes ou itens na lei do orçamento anual em vez de se terem realizado reformas sistemáticas e consistiu essencialmente em cortes em áreas específicas de despesas (recursos humanos, bens e serviços, medicamentos). Ao mesmo tempo, aumentaram as comparticipações dos doentes nos copagamentos das taxas moderadoras e medicamentos, aumentando a despesa privada com saúde. Por outro lado, o período político de 2015-2017 deixou mais espaço de manobra para o desenvolvimento de políticas reformistas de longo prazo, abordando aspetos do macrossistema (adequação e qualidade dos cuidados hospitalares e plano nacional contra a dor). 

Contudo, o desempenho em termos da proteção da saúde e qualidade dos cuidados mostrou uma grande variabilidade regional, especialmente (mas não exclusivamente) entre as regiões do norte e sul. A degradação das condições económicas teve um efeito negativo no acesso aos serviços de saúde para os grupos mais vulneráveis da população e os efeitos a curto prazo na saúde mostram um aumento dos distúrbios psiquiátricos e na malnutrição, trazendo maiores desafios a longo prazo. 

O desafio político futuro será a reconfiguração dos equilíbrios de poder entre o governo nacional e os regionais, pois as regiões mais ricas exigem maior (ou total) descentralização fiscal. 

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Publicado
2018-12-15
Secção
Artigos Originais