A cultura visual médica no virar do século XIX: da cronofotografia aos primórdios do cinema

  • Maria Estela Jardim Professora Associada de Química da FCUL (aposentada) Membro integrado do Centro de Filosofia das Ciências (CFCUL); Research Group Science and Art Membro colaborador do CQE Universidade de Lisboa
  • Nádia Vera Jardim Mestre em Gestão, Nova SBE, Universidade Nova de Lisboa Doutoranda em Gestão, ISEG, Universidade de Lisboa
Palavras-chave: Fotografia, cronofotografia, cinematografia, história da medicina, cultura visual

Resumo

O cinema permitiu a possibilidade de capturar fenómenos científicos relacionados com o movimento que, de outro modo, apenas com a fotografia e o desenho seria impossível. As técnicas cinematográficas devem muito a E. Muybridge e E-J. Marey. Marey começou a registar os movimentos dos corpos patológicos em 1888, através da cronofotografia, identificando funções biológicas como fenómenos mecânicos e realizando filmes sobre a fisiologia do corpo. A partir de 1897, vários médicos começaram a usar o cinematógrafo como ferramenta para a investigação e ensino. Em 1897 John Macintyre dirigiu filmes, combinando as duas técnicas, cinema e raios-X. Um dos primeiros cientistas a produzir um filme microcinematográfico foi Julius Ries, que trabalhou no Instituto Marey. O cinema médico foi também exibido em reuniões científicas. Foi o caso do cirurgião Doyen, um dos primeiros a dirigir filmes ilustrando técnicas cirúrgicas. Alguns dos seus filmes, identificados e restaurados na Cinemateca Portuguesa, foram projetados em reuniões científicas, como o Congresso Internacional de Medicina e Cirurgia de Lisboa (1906). O neurologista Egas Moniz usou o cinema para medir o tempo entre os movimentos de contração produzidos pela patologia neurológica, mioclonias. Nesta investigação examinamos o papel do cinema como método de representação pictórica e estudo experimental em medicina.

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Publicado
2019-04-22