A hospitalização da população indígena em Moçambique na primeira metade do século XX – reflexões a partir da coleção de maquetas do IHMT

  • João Miguel Couto Duarte Centro de Investigação em Território, Arquitetura e Design – CITAD. Professor Auxiliar na Faculdade de Arquitetura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa
  • Paula Cristina Saraiva Coordenadora Principal CGIC/IHMT, Centro de Gestão de Informação e do Conhecimento. GHMT, Global Health &Tropical Medicine. Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • José Luís Doria Museu e Arquivo Histórico do Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Vice presidente da Sociedade Portuguesa de História dos Hospitais. Coordenador da Comissão Temática de Cultura/OC da CPLP. Antigo docente de Oftalmologia e História da Medicina FCM/UNL
Palavras-chave: Serviços de saúde – Moçambique, população indígena – aculturação, assistência sanitária, história do colonialismo português

Resumo

O museu do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) possui algumas maquetas de estruturas sanitárias, destinadas às populações indígenas, construídas em Moçambique na primeira metade do século XX em núcleos urbanos de pequena dimensão. Essas estruturas foram concebidas como parte de uma rede de assistência sanitária formulada pelo médico Francisco Ferreira dos Santos no início da década de 1920, que deveria cobrir a totalidade do território da província. A similitude entre várias dessas estruturas confirma a adoção dos mesmos princípios de organização bem como de projetos tipo para muitas das suas construções. Porém, a coexistência de modos distintos de assegurar a hospitalização da população, ora em palhotas, ora em pavilhões enfermaria, como se observa ao se confrontar a maqueta da Formação Sanitária de Maputo com a maqueta do Hospital do Bilene, suscita uma reflexão acerca do modo como era avaliada a aculturação da população à qual essas estruturas eram destinadas. Sob o cuidado perante a aculturação que parece orientar a opção por cada um desses modos de hospitalização, importa, contudo, observar a convicção do Estado na oportunidade da imposição do seu poder enquanto entidade colonizadora. Às opções sanitárias e arquitetónicas presentes nestas estruturas subjazem, afinal, opções políticas.

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Referências

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Disponível em: http://memoria-africa.ua.pt/Library/ShowImage.aspx?q=/BGC/BGC-N233&p=10

Publicado
2019-04-22