Parcerias em saúde global e saúde das populações – O que esperar e como melhorar?

  • Ana Sottomayor WHO Collaborating Center on Health Workforce Policy and Planning, GlobalHealth and Tropical Medicine (GHMT), NOVA- IHMT, Lisboa, Portugal Unidade de Saúde Pública, Agrupamento de Centros de Saude Grande Porto V - Porto Ocidental, Porto, Portugal
  • Joana Vidal Castro Unidade de Saúde Pública, Agrupamento de Centros de Saúde Grande Porto VIII – Espinho/ Gaia, Vila Nova de Gaia, Portugal WHO Collaborating Center on Health Workforce Policy and Planning, Global Health and Tropical Medicine (GHMT), NOVA- IHMT, Lisboa, Portugal
  • António Carvalho Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal e WHO Collaborating Centeron Health Workforce Policyand Planning, Global Healthand Tropical Medicine (GHMT), NOVA- IHMT, Lisboa, Portugal
  • Carlos Brito Diretor Departamento Saúde Pública e Pesquisa Organização Oeste Africana da Saúde / CEDEAO
  • Fernando P. Cupertino de Barros Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, Goiás, Brasil Investigador associado ao Núcleo de Estudos de Saúde Pública (NESP), da Universidade de Brasília, Brasil
  • Isabel Craveiro WHO Collaborating Center on Health Workforce Policy and Planning, GlobalHealth and Tropical Medicine (GHMT), NOVA- IHMT, Lisboa, Portugal

Resumo

As parcerias em saúde global ocupam um importante lugar na discussão da saúde global. Durante o 5º Congresso Nacional de Medicina Tropical foram discutidos alguns pontos centrais desta área: investigação, implementação e financiamento. O objetivo deste artigo é, com base nas ideias apresentadas e do debate gerado, refletir sobre cada um dos temas, sobressaindo os aspetos mais relevantes para a atualidade e futuro das parcerias em saúde global. O artigo tem por base as apresentações, a discussão gerada e a revisão bibliográfica sobre as três temáticas centrais referidas. As parcerias em saúde global pretendem reverter e superar as assimetrias Norte/Sul em diversos níveis: capacitação, acesso, conhecimento, financiamento, investigação, ensino e desenvolvimento de ciência; contribuindo para a construção de uma sociedade baseada no conhecimento e com vista ao desenvolvimento sustentável e cobertura universal em saúde. Estas parcerias são crescentemente reconhecidas como um elemento fundamental para alcançar os ODS, existindo, no entanto, a necessidade de assegurar que não prejudicam nenhum dos intervenientes. Devem ser equilibradas e simétricas, espelhando os interesses de todas as partes envolvidas, reforçando as capacidades existentes e prezando pela transparência e inclusão de todos os parceiros em todas as fases.
Assim, as parcerias em saúde global poderão ser verdadeiramente efetivas, levando a novas formas de articulação, implementação e financiamento.

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Publicado
2019-12-04