Avaliação dos serviços de atenção primária à saúde do município do Rio de Janeiro para assistência a pacientes com suspeita de dengue

  • Danielle Amaral de Freitas Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca/ Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Reinaldo Souza-Santos Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca/ Fundação Oswaldo Cruz
  • Mayumi Duarte Wakimoto Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fundação Oswaldo Cruz

Resumo

Os Cuidados de Saúde Primários (CSP), denominados “atenção primária à saúde (APS)”no Brasil devem ter condições físicas e organizacionais para oferecer atendimento adequado aos pacientes com suspeita de dengue e evitar óbitos. Objetivamos analisar a adequação da APS no município do Rio de Janeiro. Trata-se de uma avaliação normativa com apreciação da estrutura e processo. Foi elaborado um sistema de escores para analisar a APS, de acordo com os indicadores utilizados: adequada (0,8 a 1); parcialmente adequada (0,6 a 0,79); e não adequada (≤ a 0,59). Quanto à estrutura, as unidades estavam parcialmente adequadas, com condições físicas e estruturais adequadas, porém inadequadas quanto à existência de normas, procedimentos técnicos, além do quantitativo insuficiente de profissionais. Os processos foram parcialmente adequados, com dificuldades apontadas para: implementação de protocolos, uniformização dos fluxos assistenciais, inclusão da equipa multiprofissional e comunicação efetiva. Além disso, alguns procedimentos relacionados à observação clínica, essenciais para a diminuição da letalidade, foram inadequados. Embora nos últimos anos tenha ocorrido aumento da cobertura de unidades de APS, esse não se mostrou suficiente para a ampliação do acesso e atendimento oportuno à população. São necessárias políticas públicas para estruturação e apoio às redes de atenção à saúde com condições logísticas e operacionais para acolhimento qualificado e eficaz. 

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Publicado
2019-12-04