Considerações sobre aplicação do sistema de avaliação de estudantes na Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto

  • Tiago Estevão Cassoma Muhongo Licenciado em Medicina Luanda, 2008
  • António Miguel André Professor da Universidade Jean Piaget (Luanda - Angola); Professor convidado da Universidade Estatual de Goias (Brasil) e diretor do Centro de Documentação e Informação da Secretaria de Estado para o Ensino Superior da República de Angola
Palavras-chave: Avaliação, estudante, ensino médico

Resumo

A mensuração da aprendizagem tem sido um processo muito discutido entre os estudiosos e pedagogos, com base na validade de medir o conhecimento ou na utilização desta medida como meio de posicionar o aluno na escala de conhecimento por ele adquirido. Nesta pesquisa foi realizado um estudo observacional descritivo transversal exploratório, através da análise da legislação sobre avaliação, sua materialização, efetividade e fiabilidade, com base na descrição dos conceitos, medidas, modalidades e métodos de avaliação, assim como sua utilização e função, além de avaliar a compreensão do conceito de avaliação entre no campo de estudo e abordar os tipos de avaliação aplicados. 

Observou-se que na população estudada mais de metade (60%) dos inquiridos era do 1º ano e a frequência mais elevada (45,5%) era de repetentes, sendo que a maioria não conhecia a legislação sobre a avaliação (71,4%), alguns não a compreendiam (59,38%) e outros mal a interpretavam (58,3%), não tinham conhecimento do peso da avaliação (91%) e esta não correspondia aos objetivos educacionais. Afirmara que a prova escrita avaliava adequadamente a reflexão e o raciocínio (57,1%), porém não as competências profissionais (50%), os exames não refletiam os objetivos e os conteúdos das disciplinas (66,96%). As provas escritas, oral e mista foram as mais utilizadas na avaliação, sendo a periódica-contínua a modalidade de avaliação mais usada. A fórmula de avaliação final não era conhecida pela maioria (65,2%), o calendário de exames não considerava o tempo de preparação das provas (84,82%). Os objetivos não eram explicados antes do início das disciplinas (67%), os seminários foram os trabalhos que mais contaram para a avaliação (92,9%), os exames de época normal (95,5%) e os recursos (87,5%) foram os mais realizados, sendo o aproveitamento dos alunos do 1º e 2º ano satisfatório no ano académico de 2005/2006, no ciclo básico, apesar do alto índice de reprovações em algumas cadeiras. Os professores conheciam a legislação, mas apenas 28,6% de estudantes tinham o respetivo conhecimento. 

Conclui-se que o sistema de avaliação, em alguns dos seus articulados, não tem sido posto em prática. Neste sentido, deve haver rigor no cumprimento da legislação, tendo os docentes o papel de definir com maior clareza os objetivos educacionais propostos e a instituição de promover a divulgação da legislação sobre avaliação. 

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Publicado
2021-11-18