Usos da ceroplastia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1930-1950)

  • André Mota Departamento de Medicina Preventiva, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
  • Jorge Augusto Carreta FACAMP, Faculdades de Campinas, São Paulo
Palavras-chave: Medicina legal, dermatologia, história, ceroplastia, especialidades médicas

Resumo

Este artigo tem por objetivo apresentar os usos da ceroplastia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo entre os anos 1930 e 1950. As peças em cera, representando condições patológicas, foram produzidas pelo artista Augusto Esteves, contratado junto às cátedras de Dermatologia e Medicina Legal. O uso inicial das peças era essencialmente didático, mas consideramos que tal dimensão foi extrapolada, podendo-se atribuir às peças outras “funções simbólicas”. Especialmente a produção sobre a Medicina Legal permite reflexões acerca da importância do uso das peças de cera no processo de delimitação da especialidade e, consequentemente, de sua aceitação e consolidação dentro da instituição. Pode-se perceber que a maioria dos temas que, naquele momento, eram reivindicados pela Medicina Legal foram transferidos para a cera de maneira exemplar. É possível, portanto, supor que a ceroplastia foi parte das estratégias de construção dessas especialidades médicas dentro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical