Entre o sonho e a loucura: imigrantes portugueses no Hospital do Juquery, São Paulo – década de 1930

  • Ewerton Luiz Figueiredo Moura da Silva Mestre em História pela Universidade Federal de São Paulo, Brasil
Palavras-chave: Imigração portuguesa, psiquiatria, Hospital de Juquery, São Paulo, eugenia

Resumo

Durante a década de 1930 o discurso psiquiátrico em torno da imigração ganhou capilaridade. Influenciada pela eugenia, a psiquiatria brasileira posicionou-se a favor de uma política de controlo da imigração visando à seleção não apenas individual dos estrangeiros, mas também uma seleção por “grupos raciais”. Neste cenário, o imigrante oriundo de Portugal surgiu aos olhos das autoridades brasileiras como o modelo de imigrante ideal para as necessidades do país. Paralelamente a todo este debate, a cidade de São Paulo transformava-se em metrópole nacional atraindo centenas de milhares de imigrantes em busca de oportunidades de trabalho. As mudanças engendradas na capital repercutiram na área da saúde que buscou combater as epidemias que assolavam a cidade para a construção de uma São Paulo moderna e salubre. No que tange às doenças do foro psiquiátrico, a cidade conheceu o Asilo do Juquery – fundado em 1898 – que logo em seus primeiros anos de funcionamento recebeu centenas de estrangeiros atraídos ao Brasil pelas promessas de prosperidade financeira. Através da consulta a prontuários clínicos pretende-se discorrer sobre os internamentos manicomiais de portugueses instalados em São Paulo, aqueles que no lugar de realizarem os seus sonhos de riqueza foram diagnosticados com alguma forma de doença mental.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical