Território da lepra: a criação e consolidação do Refúgio dos Leprosos em Anápolis, Goiás, Brasil (1930 –1970)

  • Giovana Galvão Tavares Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente, Faculdade de Odontologia e Faculdade de Medicina– Centro Universitário de Anápolis, Goiás, Brasil
  • Janes Socorro da Luz Professora do Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais do Cerrado e Curso de Graduação em Geografia– Universidade Estadual de Goiás, Anápolis, Goiás, Brasil
  • Josana de Castro Peixoto Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente – Centro Universitário de Anápolis, Goiás e Curso de Graduação em Farmácia da Universidade Estadual de Goiás, Anápolis, Goiás, Brasil
  • Dulcineia Maria Barbosa Campos Professora do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente e Curso de Graduação em Farmácia - Centro Universitário de Anápolis, Goiás
  • Rogério Monteiro Discente do Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente – Centro Universitário de Anápolis, Goiás, Brasil
Palavras-chave: Território, leprosário, refúgio

Resumo

Este artigo tem por objetivo apresentar resultado da pesquisa sobre território dos leprosos residentes em Anápolis nos anos 1930 - 1970. A coleta e análise de relatos orais, imagens fotográficas e documentos de arquivos individuais e institucionais foram fontes para a realização da pesquisa. O leprosário instituído em Anápolis foi construído pela Sociedade São Vicente de Paulo nos anos de 1930 por meio de doações públicas e privadas. Na década seguinte ele foi desativo devido à inauguração da Colónia Santa Marta em Goiânia, para onde foram os doentes atendidos pelo Leprosário de Anápolis. Na década seguinte foi criado o território do refúgio por doentes fugitivos das colónias e, durante as décadas 50, 60 e 70, os residentes sobreviveram de doações (alimentos, roupas, etc) feitas pela sociedade local que as entregavam para evitar que eles fossem para a cidade. Nos anos de 1970 estava consolidado o território do refúgio dos doentes de lepra. A segregação e miséria foram os elementos norteadores da produção de sua territorialidade.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical