De doença endémica a flagelo nacional – a medicalização da lepra no Brasil (1920-1940)

  • Keila Carvalho Doutora em História Social. Professora da Faculdade Interdisciplinar de Humanidades da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) Diamantina, Brasil
Palavras-chave: Lepra, medicina, pesquisas, profilaxia

Resumo

Na América Latina e, particularmente, no Brasil, a preocupação em combater a lepra ocorre, sobretudo, com a participação de representantes da comunidade médica nas várias edições da “Conferência Internacional de Lepra” – a primeira aconteceu em Berlim, em 1897. As diretrizes dessas conferências serviriam de base para o desenvolvimento de pesquisas sobre a doença, bem como para elaboração/implantação de práticas profiláticas para combatê-la. Neste trabalho pretende-se analisar como um conjunto pesquisas e ações profiláticas em funcionamento em países europeus, como a Noruega, por exemplo, são recebidos e “ressignificados” no Brasil, onde a lepra passa a ser reconhecida como flagelo nacional.

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Referências

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical