Órfãos da saúde pública: vozes da infância da lepra no Brasil

  • Lilian Souza Especialista em Saúde Pública, Mestre em Serviço Social, Doutoranda em Políticas Públicas e Formação Humana Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Palavras-chave: Lepra, saúde pública, história oral, filhos sadios e preventórios

Resumo

Este artigo apresenta a revisão de uma pesquisa que teve como objetivo investigar a história dos filhos sadios separados dos pais doentes de lepra, que foram isolados compulsoriamente por determinação do Estado brasileiro. Através da metodologia da pesquisa qualitativa baseada na técnica de história oral, bem como a pesquisa documental por meio de fontes secundárias, resgatamos uma história da saúde pública no Brasil e suas diversas formas de vigilância e controlo da doença e do doente de lepra. Concluímos que como impactos da medida de segregação e afastamento de pais e filhos, ocorreu o aprofundamento do estigma social, o rompimento do vínculo com a família e com as redes de sociabilidade, além da restrição das oportunidades de (re)socialização, conformando um modo de discriminação que se reflete na vida dos sujeitos atingidos pela doença e na de seus familiares.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical