Leprosaria de Cumura: história, etnografia e fotografia – intercepções

  • Luís Manuel Neves Costa Departamento de Ciências da Vida / Antropologia, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de Coimbra CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) Doutorando em Antropologia

Resumo

Na periferia de Bissau foi criada pela autoridade colonial (em 1951), uma leprosaria para isolamento dos doentes da colónia Guiné portuguesa. Cumura emergia como espaço de confinamento da lepra. A igreja católica assumia a responsabilidade na assistência, evitando assim a expansão dos protestantes evangélicos na colónia. Não havendo missionários portugueses com formação específica, o Prefeito Apostólico solicitou à Província de Santo António de Veneza o envio de missionários franciscanos, entretanto expulsos do Tibete por Mao Tsé Tung. Partindo da investigação em arquivo e da investigação etnográfica, este artigo pretende resgatar e conferir visibilidade à história da Leprosaria de Cumura, entrecruzando a histórica, a etnografia e a fotografia desta instituição, designada na atualidade como Hospital do Mal de Hansen, uma referência na assistência médica na Guiné-Bissau e para outros países da África Ocidental.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Doenças, agentes patogénicos, atores, instituições e visões da medicina tropical