A Leishmaniose Tegumentar Americana e a construção do conhecimento científico entre a América do Sul e a Europa

  • Denis G. Jogas Junior Doutorando do PPGHCS/Fiocruz Rio de Janeiro, Brasil
Palavras-chave: Leishmanioses, história da medicina tropical, circulação de saberes, América do Sul, Europa

Resumo

Este artigo tem como objetivo principal retratar, de maneira sucinta, o debate médico-científico ocorrido nas primeiras décadas do século XX sobre as proposições de individualização dos quadros clínicos e dos agentes patogénicos das manifestações de leishmanioses encontradas na região sulamericana. Em consonância com os novos estudos e conceitos europeus sobre as doenças prevalentes em seus respetivos territórios coloniais, feitos a partir das últimas décadas do século XIX, médicos de diferentes países da América do Sul buscavam entender e combater as doenças que representavam problemas de saúde pública em suas realidades locais. Correlacionando quadros clínicos e supostos protozoários patogénicos diferenciados do género Leishmania, pesquisadores atuantes, sobretudo, no Brasil e no Peru passaram a advogar a necessidade da particularização das manifestações americanas quando comparadas aos conhecidos quadros do botão do Oriente e do calazar, gerando um longo e ávido debate médico entre especialistas situados nessas duas regiões em um circuito de construção de conhecimento interativo, embora assimétrico.

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Publicado
2018-06-24
Secção
Políticas e redes internacionais de saúde pública no século XX