A natureza brasílica nas farmacopeias do Frei João de Jesus Maria

  • Wellington Filho Aluno de doutoramento no Centro Interuniversitário de História e Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa - Faculdade de Ciências Bolseiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes)
Palavras-chave: Farmacopeias, história da farmácia portuguesa, botânica, história da medicina

Resumo

Ao longo do século XVIII a literatura farmacêutica inicia um novo capítulo na história da farmácia e, em um sentido abrangente, da própria história médica portuguesa. A incessante impressão de farmacopeias, que culminaria na publicação da primeira farmacopeia oficial do Reino de Portugal em 1796, evidencia o esforço dos médicos e boticários – e posteriormente do Estado – para a regulamentação, modernização e adequação da disciplina aos métodos científicos que estavam em decurso no período. Entre os autores do período, destaca-se o monge-boticário e administrador da botica do Mosteiro de Santo Tirso, Frei João de Jesus Maria (1716-1795), autor da Pharmacopea Dogmatica Medicochimica, e Teórico-pratica e Historia Pharmaceutica das Plantas Exóticas. Influenciado pela classificação lineana e pelos ideais de ilustração de Domenico Vandelli, as obras do Frei Jesus Maria são marcadas por um particular interesse na flora colonial, especialmente do Brasil. Para Jesus Maria, um maior conhecimento e uso racional da flora colonial com propriedades medicinais, além do desenvolvimento das práticas terapêuticas, proporcionariam o acréscimo de novas e lucrativas fontes comerciais. Dessa forma, suas obras inventariam diversas plantas originárias do Brasil, onde as práticas marcadamente populares que norteavam seus usos foram articulados aos conhecimentos científicos europeus do período.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

1. Conceição J, Pita JR, Estanqueiro M, Lobo (2014) As farmacopeias portuguesas e a saúde pública. Act Farm.Port 3: 47-65.

2. Correia da Silva AC (1972). Inventário de uma Botica Conventual do Século XVIII An. Fac. Farm. 32: 117-149.

3. Sousa Dias JP (2007) Droguistas, Boticários e Segredistas: ciência e sociedade na produção de medicamentos na Lisboa de Setecentos. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.

4. Correia da Silva AC (1979). Frei João de Jesus Maria e a pharmacopeia dogmática. Sep. Act Col de Hist Loc e Reg: 297-305.

5. Centro de Documentação Farmacêutica (2015). Manuscrito intitulado ‘Historia pharmaceutica das plantas exóticas, seus produtos, naturalidades e virtudes para facilitar os conhecimentos dos vegetaes e servir de addição à pharmacopea dogmática’. Consultado em 5 de Novembro. In: http://www.cdf.pt/archeevo/details?id=1002500.

6. Maria JJ (1777). Historia Pharmaceutica das plantas exóticas, seus produtos, naturalidades e virtudes para facilitar os conhecimentos dos vegetaes e servir de addição à pharmacopea dogmática. Manuscrito existente no Centro de Documentação Farmacêutica, Coimbra, Portugal.

7. Kury LB (2004) Homens de ciência no Brasil: impérios coloniais e circulação de informações (1780-1810). Hist Cienc Saúde-Mang 11 (supl. 1): 109-129.

8. Academia de Ciências de Lisboa. Século XVIII. História do descobrimento da cochonilha no Brasil, da sua natureza, geração, criação, colheitas e utilidades. Manuscrito Azul, n. 374. Memória n. 30.

9. Ferrão JM (1992). A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses. Instituto de Investigação Científica Tropical, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e Fundação Bernardo, Lisboa, Portugal.

10. Raj K (2013). Beyond Postcolonialism …and Postpositivism: Circulation and the Global History of Science. Isis 104: 337-347.

11. Brito A de S (2008). “Flogisto”, “Calórico” & “Éter”. Ciên & Tec dos Mat 20: 51-63.

12. Burns WE (2003). Science in the Enlightenment: An Encyclopedia. ABC-CLIO’s, Santa Barbara, USA.

13. Pataca EM (2006). Terra, Água e Ar nas Viagens Científicas Portuguesas (1755-1808). Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Brasil.

14. Carvalho R (1987). A História Natural em Portugal no Século XVIII. Instituto de Cultura e Língua Portuguesa/ Ministério da Educação, Lisboa, Portugal.

15. Livingstone DN (2003). Putting science in its place: geographies of scientific knowledge. The University of Chicago Press, Chicago, USA.

16. Raj K (2007). Relocating Modern Science: Circulation and the Construction of Knowledge in South Asia and Europe, 1650-1900. Palgrave Macmillan, Basingstoke, Inglaterra.
Publicado
2018-06-24