Fatores contextuais na análise da implantação de uma intervenção multifacetada em hospitais privados brasileiros: reflexões iniciais da pesquisa avaliativa “Nascer Saudável”

  • Rosa Maria Soares Madeira Domingues Doutorado em Epidemiologia Laboratório de Pesquisa Clínica em DST/Aids, Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, Brasil
  • Jaqueline Alves Torres Doutorado em Epidemiologia Gerência de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade Setorial, Diretoria de Desenvolvimento Setorial, Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rio de Janeiro, Brasil
  • Maria do Carmo Leal Doutorado em Saúde Pública Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, Brasil
  • Zulmira M. A. Hartz Professora Catedrática Convidada, GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Universidade NOVA de Lisboa, Portugal

Resumo

O estudo “Nascer Saudável” é uma pesquisa avaliativa, do tipo análise de implantação, que tem por objetivo analisar o grau de implantação e os efeitos do “Projeto Parto Adequado” (PPA), um projeto de melhoria da qualidade, desenvolvido por meio de uma intervenção multifacetada, implantada em hospitais privados brasileiros. Este artigo tem por objetivo apresentar hipóteses selecionadas a priori, baseadas no modelo teórico da intervenção, de características do contexto que podem afetar a forma de implantação do PPA. A partir da descrição do problema da cesariana no país, da intervenção PPA, e do contexto organizacional dos hospitais privados brasileiros, são apresentados e discutidos potenciais facilitadores e barreiras para a implantação das atividades previstas pelo PPA. Aspetos relacionados às mulheres (perfil obstétrico, demanda por cesarianas eletivas), aos profissionais (formação, prática, adesão a protocolos) e ao contexto dos hospitais (porte, perfil de risco, tipologia, disponibilidade de recursos, cultura organizacional) foram identificados como relevantes e deverão ser contempladas na fase de coleta de dados. Essas hipóteses, bem como outras que poderão surgir durante a análise dos dados, deverão ser testadas e discutidas com os diversos usuários da avaliação visando ao aprimoramento da intervenção, objetivo principal de uma avaliação com foco na utilidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Champagne F, Brousselle A, Hartz Z, Contrandiopoulos AP, Denis J-L. L´analyse

d´implantation. In: Brousselle A, Champagne F, Contrandiopoulos AP, Hartz

ZMA, editors. Concepts et méthodes d´évaluation des interventions. Les Presses

de l´Université de Montréal, 2011. 332 pags, 2ª edition, pp 237-273.

Contandriopoulos AP, Champagne F, Sainte-Marie G, Thiebault G-C. Conception

et évaluation de la performance des organisations et des systèmes de santé.

In: Suárez-Herrera JC, Contandriopoulos AP, Barros FPC, Hartz ZMA, editors.

La performance des systémes et des services de santé - un enjeu incontournable.

Canada: Les Presses de l’Université de Montréal, 2017, pp 17-46.

U.S. Department of Health and Human Services. Centers for Disease Control

and Prevention. Office of the Director, Office of Strategy and Innovation.

Introduction to program evaluation for public health programs: A self-study guide.

Atlanta, GA: Centers for Disease Control and Prevention, 2011.

Potvin L, Haddad S, Frolich KL. Beyond process and outcome evaluation: a

comprehensive approach for evaluating health promotion programmes. In: Irving

R, Goodstadt M, Hyndman B, McQueen DV, Potvin L, Springett J, Ziglio E. editors.

Evaluation in health promotion: principles and perspectives. WHO regional

publications. European series, 2001; No. 92: pp 45-62

Conner RF, Fitzpatrick JL, Rog DJ. A first step forward: Context assessment.

In: Rog DJ, Fitzpatrick JL, Conner RF, editors. New Directions for Evaluation

;135 (Special Issue: Context: a framework for its influence on evaluation

practice): 89-105.

Hartz, ZMA. Contextualizando a implantação das intervenções e da Avaliação

em Saúde: um ensaio pragmático. In: Samico I, Felisberto E, Frias PG, Santo

ACGE e Hartz Z, editors. Desafios na Implantação de Programas. Rio de Janeiro:

Medbook, 2015, pp 3-20.

Torres JA, Leal MDC, Domingues RMSM, Esteves-Pereira AP, Nakano AR,

Gomes ML, Figueiró AC, Nakamura-Pereira M, de Oliveira EFV, Ayres BVDS,

Sandall J, Belizán JM, Hartz Z. Evaluation of a quality improvement intervention

for labour and birth care in Brazilian private hospitals: a protocol. Reprod Health.

;15(1):194.

Villar J, Carroli G, Zavaleta N, Donner A, Wojdyla D, Faundes A, et al. Maternal

and neonatal individual risks and benefits associated with caesarean delivery:

multicentre prospective study. BMJ. 2007;335:1025.

Horta BL, Gigante DP, Lima RC, Barros FC, Victora CG. Birth by caesarean

section and prevalence of risk factors for non-communicable diseases in young

adults: a birth cohort study. PLoS One. 2013;8:e74301.

Ye J, Betrán AP, Guerrero Vela M, Souza JP, Zhang J. Searching for the optimal

rate of medically necessary cesarean delivery. Birth. 2014;41:237–44.

Souza JP, Betran AP, Dumont A, de Mucio B, Gibbs Pickens CM, Deneux-

-Tharaux C et al. A global reference for caesarean section rates (C-Model): a multicountry

cross-sectional study. BJOG. 2016; 123(3): 427–436.

Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana.

Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em http://conitec.gov.br/

images/Relatorios/2016/Relatorio_Diretrizes-Cesariana_final.pdf. Acesso em 30

de maio 2019.

Rebelo F, Rocha CMM, Cortes TR, Dutra CL, Kac G. High cesarean prevalence

in a national population-based study in Brazil: the role of private practice.

Acta Obstet Gynecol Scand 2010; 89:903-8.

Domingues RMSM, Dias MAB, Nakamura-Pereira M, Torres JA, D´Orsi E,

Pereira APE, Schilithz AOC, Leal MC. Processo de decisão pelo tipo de parto no

Brasil: da preferência inicial das mulheres à via de parto final. Cad Saude Publica.

; 30 (supl 1): S101-S116.

Nakamura-Pereira M, do Carmo Leal M, Esteves-Pereira AP, Domingues

RM, Torres JA, Dias MA, Moreira ME. Use of Robson classification to assess cesarean

section rate in Brazil: the role of source of payment for childbirth. Reprod

Health. 2016;13(Suppl 3):128.

Mazzoni A, Althabe F, Liu NH, Bonotti AM, Gibbons L, Sánchez AJ, et al.

Women’s preference for caesarean section: a systematic review and meta-analysis

of observational studies. BJOG 2011; 118:391-9.

Potter EJ, Berquó E, Perpetuo IHO, Leal OF, Hopkins K, Souza MR, et al.

Unwanted caesarean sections among public and private patients in Brazil: prospective

study. BMJ 2001; 323:1155-8.

Leal MC, Pereira APE, Domingues RMSM, Theme-Filha MM, Dias MAB,

Nakamura-Pereira M, Bastos MH, Gama SGN. Intervenções obstétricas durante

o trabalho de parto e parto em mulheres brasileiras de risco habitual. Cad Saude

Publica 2014; 30 (supl 1):S17-S32.

Rossi AC, D’Addario V. Maternal morbidity following a trial of labor after

cesarean section vs elective repeat cesarean delivery: a systematic review with metaanalysis.

Am J Obstet Gynecol 2008; 199: 224-31.

The Breakthrough Series: IHI’s Collaborative Model for Achieving Breakthrough

Improvement. IHI Innovation Series white paper. Boston: Institute for

Healthcare Improvement; 2003. Disponível em http://www.ihi.org/resources/

Pages/IHIWhitePapers/TheBreakthroughSeriesIHIsCollaborativeModelforAchievingBreakthroughImprovement.

aspx, acesso em 02 de junho de 2019.

Chaillet N, Dumont A. Evidence-based strategies for reducing cesarean section

rates: a meta-analysis. Birth. 2007;34:53–64.

Torres JA, Domingues RMSM, Sandall J, Hartz ZMA, Gama SGN, Theme-

-Filha MM, Schilithz AOC, Leal MC. Cesariana e resultados neonatais em hospitais

privados no Brasil: estudo comparativo de dois diferentes modelos de atenção perinatal.

Cad Saude Publica. 2014; 30 (supl 1):S220-S231.

Borem P, Ferreira JBB, da Silva UJ, Valério Júnior J, Orlanda CMB. Increasing

the percentage of vaginal birth in the private sector in Brazil through the redesign

of care model. Rev Bras Ginecol e Obstetrícia. 2015;37:446–54.

Agência Nacional de Saúde Suplementar. Projeto Parto Adequado. Participantes.

http://www.ans.gov.br/gestao-em-saude/projeto-parto-adequado/participantes.

Acesso em 28 de maio de 2019.

Gama SG, Viellas EF, Torres JA, Bastos MH, Brüggemann OM, Theme Filha

MM, Schilithz AO, Leal MD. Labor and birth care by nurse with midwifery skills in

Brazil. Reprod Health. 2016;13(Suppl 3):123.

Vogt SE, Silva KS, Dias MA. Comparison of childbirth care models in public

hospitals, Brazil. Rev Saude Publica. 2014;48(2):304-13.

Sandall J, Soltani H, Gates S, Shennan A, Devane D. Midwife-led continuity

models versus other models of care for childbearing women. Cochrane Database

Syst Rev. 2016;4:CD004667.

Angulo-Tuesta A, Giffin K, Gama Ade S, d’Orsi E, Barbosa GP. Cooperation

and conflict in childbirth care: representations and practices of nurses and obstetricians.

Cad Saude Publica. 2003;19(5):1425-36.

Jacobson CH, Zlatnik MG, Kennedy HP, Lyndon A. Nurses’ perspectives on

the intersection of safety and informed decision making in maternity care. J Obstet

Gynecol Neonatal Nurs. 2013;42(5):577-87.

Francke AL, Smit MC, de Veer AJE, Mistiaen P. Factors influencing the implementation

of clinical guidelines for healthcare professionals: a systematic metareview.

BMC Med Inform Decis Mak. 2008; 8:38.

Publicado
2019-09-23
Secção
Artigos Originais