Realidades e expetativas profissionais dos alunos da licenciatura de medicina na Guiné-Bissau – evolução entre 2007 e 2016

  • Inês Fronteira Professora de Saúde Internacional. GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • Cátia Sá Guerreiro Doutorada em Saúde Internacional, Mestre em Saúde Internacional. GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • Clotilde Neves Mestre em Saúde Internacional, Ministério da Saúde Pública, Guiné-Bissau
  • Paulo Ferrinho Professor Catedrático de Saúde Internacional. GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal

Resumo

Introdução: O contexto de formação dos médicos e as suas expetativas em relação à vida profissional são fundamentais para planear a distribuição, retenção e motivação da força de trabalho em saúde. Neste estudo, comparámos a evolução das expetativas profissionais dos alunos de medicina da Guiné-Bissau entre 2007 e 2016. Material e métodos: Comparámos os resultados de dois estudos transversais descritivos, obtidos através de um questionário. Procedeu-se a análise estatística e análise de conteúdo dos dados. Resultados: Em ambos os anos, os alunos eram maioritariamente homens, tinham familiares profissionais de saúde, tinham realizado o percurso escolar em Bissau, tencionavam trabalhar no hospital e no sector público. Em 2016, a proporção daqueles dispostos a trabalhar fora de Bissau aumentou. Ainda não se tinham decidido acerca da especialização e tinham expetativas elevadas relativamente aos rendimentos. Discussão: Apesar da forte orientação para o setor hospitalar, houve um aumento da disponibilidade para trabalhar na periferia, o que pode constituir uma oportunidade de adequação entre aquilo que são as necessidades dos sistemas de saúde e as expetativas dos futuros profissionais. As ambições salariais devem ser trabalhadas a nível da formação e das instituições responsáveis pela política de recursos humanos, com possíveis efeitos nefastos para os jovens profissionais caso tal não aconteça. A decisão mais tardia por uma especialidade representa uma oportunidade de convergência com as prioridades da estratégia nacional de saúde. Conclusão: Não se verificaram grandes alterações nas expetativas profissionais dos jovens estudantes de medicina da Guiné-Bissau entre 2007 e 2016.

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Publicado
2020-10-21

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