Formação inicial em ciências da saúde em Angola: comparação dos perfis dos alunos de diferentes cursos (medicina, enfermagem e TDT), em diferentes níveis de ensino (básico, médio e superior)

  • Paulo Ferrinho Professor Catedrático de Saúde Internacional. GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • Nkanga Guimarães Consultor independente, Angola
  • Inês Fronteira Professora de Saúde Internacional. GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa, Portugal
  • Helga Freitas Diretora Nacional de Saúde, Ministério de Saúde, Angola
  • Mário Fresta Diretor, CEDUMED, Universidade Agostinho Neto, Angola

Resumo

Introdução: Descrevemos a evolução da formação de técnicos de saúde (TdS) em Angola e verificamos que o Plano de Desenvolvimento de Recursos Humanos (PDRH) 1997-2007 teve um profundo impacto no desenvolvimento da formação da força de trabalho em saúde em Angola. Este artigo relata um estudo feito no âmbito da elaboração do segundo PDRH 2013-2025 tendo por objetivo obter dados comparáveis sobre o perfil dos estudantes que frequentavam os diferentes cursos de ciências da saúde em Angola. Métodos: A metodologia foi baseada na utlizada em estudos semelhantes noutros países lusófonos e em Angola em 2007. O estudo decorreu no primeiro quadrimestre de 2014 subcontratado a uma empresa especializada. Os dados foram inseridos em SPSS v.20 em 2014 e estatísticas descritivas (contagem, frequência relativa, média e desvio padrão e medianas) foram calculadas com SPSS v 25 durante 2020. Resultados: Os resultados do estudo revelam uma mensagem positiva. Os alunos foram recrutados com uma ampla base geográfica; estavam satisfeitos com a escolha da formação e o seu desempenho era, em geral, satisfatório, embora a percentagem de estudantes de técnicas de diagnóstico e terapêutica (TDT) com disciplinas em atraso mereça atenção. Após a formação pretendiam estabelecer-se em Angola, de preferência numa prática hospitalar, de preferência na rede pública. Como o setor público não tem capacidade para absorver todos os alunos, é gratificante constatar que muitos estavam abertos à prática no setor privado, principalmente nas capitais provinciais ou nacionais, preferencialmente em acumulação com trabalhos do setor público. Discussão e conclusões: Em fim de ciclo do Plano Nacional de Formação de Quadros 2013-2020, este estudo destaca algumas das questões que terão de ser abordadas pelas instituições de formação a fim de contribuir para uma força de trabalho de saúde equilibrada em Angola, com TdS em quantidade com a qualidade e distribuição necessárias para dar reposta às necessidades do sistema de saúde e da população.

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Publicado
2020-10-21

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