Formação de recursos humanos em saúde: desafios e oportunidades

  • Deborah Carvalho Malta Doutora em Saúde Coletiva. Escola de Enfermagem. Departamento Materno infantil e de Saúde Pública, Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, Brasil
  • Mohsin Mahomed Sidat Doutor em Saúde Pública. Faculdade de Medicina. Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Maputo, Moçambique
  • Laura Camargo Macruz Feuerwerker Doutora em Saúde Pública. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, Brasil
  • Patrícia Rosado Pinto Doutora em Ciências da Educação. Universidade Nova de Lisboa (UNL). Lisboa, Portugal
  • Mario Fresta Doutor em Medicina. Centro de Estudos Avançados em Educação e Formação Médica (CEDUMED) da Universidade Agostinho Neto (UAN). Luanda, Angola
  • Zulmira M. A. Hartz Professora Catedrática Convidada, GHTM, Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Universidade NOVA de Lisboa, Portugal
  • Gilles Dussault Global Health and Tropical Medicine, Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT-NOVA). Lisboa, Portugal

Resumo

Objetivo: analisar os desafios na formação da força de trabalho em saúde, com ênfase na categoria médica, que responda às novas necessidades geradas pela transição demográfica, epidemiológica, novas incorporações tecnológicas e demandas dos usuários dos serviços de saúde nos países de língua portuguesa. 

Métodos: o trabalho tem como base a revisão de literatura, a leitura dos documentos preparatórios do 5º Congresso Nacional de Medicina Tropical, as apresentações realizadas pelos oradores e os debates sobre o tema. 

Resultados: a formação de profissionais em saúde é complexa, demandando a contextualização dos currículos, refletindo as novas competências e as demandas de formação dos serviços de saúde, como a integralidade do cuidado, atuação na atenção primária e respostas a mudanças do quadro epidemiológico. Entretanto, as pressões do mercado e as práticas corporativas, particularmente da categoria médica, dificultam estes processos. 

Conclusão: em função da baixa capacidade regulatória do setor público na formação de recursos humanos, as iniciativas de aproximar a formação das necessidades sanitárias têm efeito muito limitado diante das pressões do mercado. Torna-se necessário maior clareza sobre o diagnóstico das demandas de human resources nos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e maior regulação do setor público quanto a formação em saúde. 

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Publicado
2019-12-04

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